‘Não vou ceder a chantagem’, foi tom de ACM Neto após últimas conversas com PTN

Ainda reverbera no meio político a discussão entre o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), e o deputado federal João Carlos Bacelar (PTN). Aliados de primeira hora, Bacelar foi para a conversa com o prefeito nesta sexta-feira (9) com uma condição primordial: o PTN permaneceria na base caso a Secretaria de Ordem Pública (Semop) fosse cedida, de porteira fechada, para o partido. Com uma ação, matava dois coelhos. Ganhava espaço no primeiro escalão e ainda vingava a derrota para o PSDB na Câmara de Vereadores, já que Rosemma Maluf, titular da pasta, é da cota tucana. Apesar da ponderação de Bacelar ao falar sobre a conversa – segundo a coluna Tempo Presente, de A Tarde –, o clima não foi amigável. Saiu de lá ouvindo do prefeito que não haveria barganha. Vereadores do PTN reclamavam da relação com a prefeitura desde os primeiros instantes da gestão ACM Neto. Bacelar, então todo poderoso da Secretaria de Educação, continuava com a função, mas com menos poderes. A porteira fechada, jargão para controle absoluto de uma pasta por um partido, não aconteceu e os vereadores acostumados com o padrão João Henrique de negociação bradaram. O desgaste foi aumentando e culminou com a saída de Bacelar da secretaria, em julho de 2014, às vésperas da deflagração de uma operação para investigar contratos entre a secretaria e a ONG Pierre Bourdieu. A gota d’água para o PTN, no entanto, foi a apalavrada eleição da Câmara. Ao esperar um posicionamento de ACM Neto pró-partido na disputa do legislativo, o PTN fez uma aposta no escuro. Tentou ver até onde ia a aliança com o prefeito. Numa última tentativa de sinalizar proximidade, o partido escolheu Tiago Correia, contraparente de ACM Neto, para disputar a eleição. “Uma saída honrosa”, como classificou um aliado de Neto. Porém, nos bastidores, a negociação com o governo Rui Costa (PT) era intensa. Com a garantia que herdaria o Detran do PP, o PTN buscou pressionar o prefeito de Salvador. O resultado foi um desgaste político para ACM Neto, uma vitória importante para o clássico governo de coalisão petista, agora sob a batuta de Rui Costa, e mais um partido totalmente subjulgado pela máxima da sopa de letrinhas. Antes oposição, o PTN agora é governo. Resta saber se no legislativo soteropolitano todos os cinco vereadores vão marchar com a minoria. 

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